Caro Paul Mc Cartney

15/07/2010
Por Waldete - email: cestari.jau@uol.com.br

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Bem, para começar, deveria chamá-lo de Sir, porque você é Membro do Império Britânico, condecorado pela Rainha. É que como você vive aqui na sala de casa, no meu carro, no meu computador, sinto-me à vontade para dispensar esse tratamento formal. Resolvi lhe escrever, porque ao vê-lo e ouvi-lo num DVD de sua turnê Get Back, cantando I saw her standing there, uma de minhas músicas preferidas, me dei conta de que já faz mais de 40 anos que o bichinho da beatlemania me picou. Aliás, Paul, você foi muito feliz na escolha das músicas dessa turnê. Aquela hora em que você está terminando de cantar The fool on the hill, e entra a imagem de Martin Luther King falando para milhares de pessoas, é de arrepiar. Você não acha, Paul, que King é meio profético quando diz: Eu acredito na Terra Prometida e eu posso não chegar até lá com vocês ?! Sabe o que mais foi incrível nessa turnê ? A presença de sua mulher Linda, tocando e cantando... que saudades... Bem... vou lhe contar como o conheci. Na década de 60 eu era adolescente e um dia meu irmão Mir, um dos maiores beatlemaníacos que conheço, trouxe para casa um long-playing de um grupo de ingleses que estava fazendo o maior sucesso.
Eram quatro cabeludos – John, Paul, George e Ringo, que com duas guitarras, um baixo e uma bateria estavam promovendo uma verdadeira revolução musical. O conjunto tinha um nome estranho – Beatles. Meu irmão colocou o disco no nosso aparelho de alta-fidelidade e no primeiro acorde de A Hard Day’s night , já me apaixonei pelo grupo. Meu pai, músico acostumado aos sons das grandes orquestras, torceu o nariz e não gostou nadinha daquilo. O Mir, que naquela época já tocava piano, ouvia o disco o tempo todo e aprendeu rapidinho todas as músicas. E eu, também, por tabela. No ano seguinte, ele apareceu em casa com o disco Help.
Ele era diferente do primeiro, porque nele havia duas composições do George e a incrível Yesterday. Era o disco tocando e a gente cantando. Depois vieram Rubber Soul, Revolver, o fantástico Sargent Pepper’s Lonely Hearts Clube Band. Vieram outros álbuns, com músicas excepcionalmente belas. E o meu irmão cantando e tocando no piano. E eu cantando e gostando cada vez mais.
E minha irmã Neia também. Pra falar a verdade, eu só não gostava muito quando o Ringo se punha a cantar... a voz dele é meio feiosa, você não acha? Você se lembra, Paul, de quando começaram a surgir boatos de que você tinha morrido e que havia sido substituído por um sósia ? Começaram a interpretar imagens das capas dos discos, procurar mensagens secretas ouvindo as músicas ao contrário, uma loucura. Que bobagem ! A maior prova de que você estava vivíssimo, era a sua voz, a sua indefectível voz... Sabe, Paul, aqui onde eu moro, há uma multidão de beatlemaníacos. Alguns fanáticos mesmo. Existe uma escola de Inglês, (o proprietário dela tem o criativo pseudônimo de “Larry B”) que promove todo ano um Festival dos Beatles. Além de bandas com os “maduros”, há muitas bandas de jovens. É, Paul, de jovens fãs dos Beatles! (Aqui pra nós, ein, eles têm bom gosto... ) Eu gostaria que você ouvisse a abertura de uns desses festivais... Numa delas, o meu irmão fez uma mistura de Help com uma música brasileira chamada Samba de Uma Nota Só. Ficou um espetáculo... queria que você a ouvisse.
E também fez uma versão de We can’t work now em ritmo de tango !!! Você acredita ? Mas pena que os Beatles se separaram... Eu não sei muito sobre essa separação, mas acho que aí tem a colherinha enferrujada da Yoko Ono. Bem, já tomei muito seu tempo contando essa minha história. Acho que você deve receber muitas cartas como esta. Ouvindo Hey Jude enquanto termino estas linhas, penso que todos deveriam seguir seu conselho: Don’t carry the world upon your shoulders... Essa seria uma boa frase para iniciar um livro de auto-ajuda, não acha? Saudações beatlemaníacas de sua eterna fã. Wal. PS - Se quiser responder minha carta, meu email é cestari.jau@uol.com.br |